
Foto: Reprodução
Recebi ontem um vídeo que registrou incidente que aconteceu 2ª feira na praça de alimentação de um shopping em Salvador.
Um rapaz tentou pagar o almoço de menino que perambulava por lá e foi impedido por um Segurança, que agiu de forma agressiva com ambos e proibiu a atendente da lanchonete de servi-los.
Após a revolta do rapaz e de outras pessoas que assistiam a cena, um Supervisor apareceu e, sem alternativa, permitiu que o menino fosse atendido e sentasse para almoçar.
Quando vi aquele absurdo, de início pensei em expressar minha indignação, assim como fizeram as mais de 9 milhões de pessoas que acessaram o vídeo no YouTube.
Antes que que tivesse tempo de escrever a rede Globo mostrou matéria sobre o caso e revelou um detalhe que aumentou ainda mais minha revolta.
Na reportagem vi que para ajudar no sustento da família o menino de 12 anos vende chicletes todas as tardes na frente do shopping. Ele mora com a mãe e as irmãs na periferia de Salvador, e funcionários da praça de alimentação o veem todos os dias pedindo comida.
Não há como negar a tristeza com o que se esconde atrás disso. Claro que a questão da intolerância por si só é terrível, assim como tudo mais que o vídeo mostrou: a falta de sensibilidade, o preconceito e a prepotência das pessoas.
Mas o que não estamos percebendo é que esse menino expõe a chaga viva que corrói a Nação, o retrato acabado do subdesenvolvimento brasileiro e a nossa condenação ao terceiro-mundismo perpétuo.
Só com políticas públicas que priorizem a manutenção das crianças na escola em período integral e a criação de programas consistentes de geração de emprego e renda é que mudaremos essa face cruel do país.
A Salvador do Geddel que escondeu 51 milhões no apartamento e do menino que pede comida no shopping são dois lados de uma moeda chamada Brasil.

