Ao tentar atravessar a rua um homem foi atingido por um ônibus, que o jogou longe e o machucou muito.
Uma multidão começou a se reunir no lugar onde ele caiu e, sentindo que ia morrer, ele sussurrou, com a voz dolorosa:
– “Um Padre… Por favor, alguém chame um Padre!”
Os minutos se arrastaram, e como nenhum religioso apareceu, um policial que acompanhava a situação gritou, desesperado:
– “Um Sacerdote! Por favor! Não há um Padre aqui para dar a extrema-unção a este homem?”
Finalmente do meio da multidão apareceu Abraão, de 80 anos:
– “Sr. Policial”, eu não sou sacerdote. Aliás, eu não sou nem cristão, mas há 50 anos moro atrás do Salão Paroquial de uma Igreja Católica e estou sempre ouvindo os serviços religiosos. Lembro muito bem o que eles dizem e talvez eu possa dar um pouco de conforto a esse pobre homem”.
Diante da situação, o policial concordou e abriu espaço para que Abraão pudesse chegar até onde João estava.
De joelhos, Abraão inclinou-se sobre o moribundo e falou, com a voz solene:
– “B-4. I-19. N-38. G-54. O-72…”


