Blog do Guelmann

Pitadas da sabedoria e do humor judaicos.

Jupiter enviando seus raios mortais
Geral

Alexandre de Moraes, Jupiter, Vorcaro e... um Dia a Casa Cai!

Quos Iuppiter vult perdere, dementat prius.

“Aqueles que Júpiter quer destruir, primeiro enlouquece.”

Muitas vezes, ao longo da minha vida, assisti acontecimentos que me fizeram reconhecer a sabedoria desse antigo provérbio. Em poucas ocasiões, no entanto, ele me pareceu tão apropriado quanto agora, diante das revelações sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A retirada do sigilo de parte da investigação da Polícia Federal trouxe a público informações que, no mínimo, causam perplexidade. ‘Metadados’ do arquivo revelaram que Alexandre de Moraes participou da edição da minuta do contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes - participação que o próprio escritório confirmou.

O escritório afirma que o contrato foi submetido a uma avaliação de compliance e que o ministro foi consultado sobre a existência de possíveis impedimentos legais. Sustenta também que Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master. Aqui entre nós, eles estão fazendo pouco da nossa inteligência…

A explicação pode ser formalmente apresentada. Outra coisa, porém, é saber se ela consegue afastar as dúvidas - e, sobretudo, a impressão causada pelos fatos.

Um ministro do Supremo Tribunal Federal deve apenas evitar conflitos de interesses ou também qualquer situação que possa produzir a aparência de um conflito? É razoável que o integrante da mais alta Corte do país participe da análise de um contrato milionário firmado pelo escritório de sua esposa com um banqueiro posteriormente investigado? E por que um banco pagaria valores tão extraordinários por serviços advocatícios? Ou será quen eles querem que a gente acredite que nenhum outro escritório de Brasilia teria competência para atender o Vorcaro?

Eu não posso antecipar condenações e muito menos substituir as autoridades responsáveis pela investigação. mas, convenhamos, não me parece possível tratar tudo isso como se fosse apenas uma coincidência, um mal- entendido ou (mais um) ataque dirigido ao Supremo.

Como simples mortal, sem intimidade com os deuses do Olimpo, fico lembrando outra frase célebre:

  • “Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a tua filosofia.”

E talvez haja também mais coisas entre Brasília e o Banco Master do que até agora nos foi permitido conhecer.

Júpiter, ao que parece, ainda não terminou o seu trabalho.

E, como ensina a sabedoria popular, um dia a casa cai.