
No Respeito aos Mortos, a Lição dos Japoneses no Brasil
A matéria abaixo foi publicada em 09/07. Pretendia publicá-la antes mas infelizmente não foi possível em razão de ter interrompido as postagens no Blog durante a campanha eleitoral.
É a demonstração do quanto nós temos a aprender com os japoneses quando o assunto é respeito:
Em agradecimento aos antepassados e seus ensinamentos, 98° Shokonsai é realizado em Álvares Machado
Evento começou em 1920 e, desde então, não foram registradas chuvas no dia das homenagens, somente na data anterior ou posterior.
Por G1 Presidente Prudente
09/07/2018 07h46 Atualizado há 3 meses
Ritual das velas é o ápice do Shokonsai
Foto: Stephanie Fonseca/G1
Céu aberto e sem chuva marcou o segundo domingo de julho, data em que é realizado o Shokonsai. Neste dia 8, a homenagem chegou em sua 98ª edição e reuniu cerca de três mil pessoas no Cemitério Histórico Japonês, localizado em Álvares Machado. O evento de tradição e cultura japonesa tem como objetivo reverenciar a memória dos antepassados e agradecê-los pelos ensinamentos deixados.
Diversas atividades foram realizadas durante este domingo (8) no local, que é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Porém, o ápice do evento acontece ao pôr do sol, quando é realizado o “ritual das velas”.

Foto: Stephanie Fonseca/G1
Tradição e cultura
O Shokonsai é realizado desde 1920 e nestes 98 anos, não foram registradas chuvas no dia do evento, somente na data anterior ou posterior.
O cemitério japonês foi criado, extraoficialmente, entre 1918 e 1919, com a chegada dos primeiros japoneses ao Oeste Paulista. Álvares Machado era a cidade com a maior concentração de descendentes orientais, entretanto o único cemitério próximo ficava em Presidente Prudente, o que dificultava a realização de enterros, já que os mortos tinham de ser levados a pé em macas improvisadas.
Na época houve uma epidemia de febre amarela e, com a dificuldade já constatada, pois um senhor havia morrido da doença e seu corpo fora levado por 15 quilômetros até Presidente Prudente, membros da colônia realizaram os procedimentos necessários para oficializar um cemitério mais próximo, que se tornou “exclusivo” aos japoneses.
Até o ano de 1943, foram sepultadas 784 pessoas, ocasião em que o presidente Getúlio Vargas interveio e proibiu os enterros por entender que havia uma discriminação racial. Apenas um dos sepultados não é japonês, o Manoel, que não teve sua família identificada, mas morreu defendendo uma família japonesa de bandido.
O cemitério japonês de Álvares Machado é o único desta etnia fora do Japão e é mantido pela Associação Cultural, Esportiva e Agrícola Nipo-Brasileira de Álvares Machado (Aceam).

Foto: Stephanie Fonseca/G1
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