Para o Dino o Homem Não Esteve na Lua

A comemoração do 50º aniversário da chegada da Apollo 11 à lua me fez lembrar de um fato que aconteceu comigo.

Em 1969 eu estava envolvido em projeto de reflorestamento na fazenda da família Guelmann, assunto que já mereceu algumas histórias aqui no Blog. O trabalho começou em 1967, pouco antes de eu completar 20 anos.

A fazenda ficava a 84km de Curitiba, na frente de Vila Velha. Plantamos quase 1.600.000 árvores no período de 5 anos, das quais apenas 28 mil foram adquiridas. Todas as demais foram produzidas em viveiro próprio, desde a semente. 

O capataz da fazenda, que já trabalhava conosco há muitos anos, era o Dino, uma pessoa admirável. Aprendi muito com ele e com o filho mais velho, o Milo, dois dos melhores amigos que tive na vida e dos quais tenho infinitas saudades . 

Apesar de até então terem sempre trabalhado na agricultura e pecuária, plantando milho e trigo sarraceno e criando bovinos e suínos, eles adaptaram-se muito bem às novas atividades.

Eles dedicaram-se de tal forma ao trabalho que o reflorestamento foi considerado pelo IBDF – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal como o melhor de todo o Paraná.

Voltemos à lua.

Durante os 5 anos eu continuei trabalhando na indústria de móveis e em todos os finais de semana ia para a Fazenda. Com certeza não falhei mais do que 2 ou 3 em todo esse período.

Como naquela época os funcionários da fazenda não tinham acesso à TV, no 1º sábado após o pouso da nave levei para eles a revista Manchete com as fotos dos astronautas.

A reportagem era ótima, com fotos coloridas e detalhes do feito extraordinário.

Eu tinha certeza de que o Dino iria se maravilhar.

Ledo engano.

O Dino folheou a revista, olhou as fotos com desdém e decretou:
“Não é verdade, isso é coisa “dos americano”.

 

 

 

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