
Três na Quarta de Humor Judaico – 16
Duas Viúvas no Lar de Idosos
Duas idosas, uma cristã e outra judia, moravam em casas vizinhas. Os maridos faleceram mais ou menos na mesma época e a amizade iniciada décadas antes ficou ainda maior. Com o passar do tempo foi natural que pensassem em ir para uma casa de repouso e então houve a separação, cada uma indo para instituições das respectivas comunidades religiosas. Mesmo assim continuaram se encontrando regularmente e em uma dessas ocasiões a amiga judia, muito feliz, comentou que ela e um senhor que também residia no Lar estavam se dando muito bem:
– De vez em quando ele vai ao meu quarto e cantamos as velhas canções em “iídiche”¹ até a hora de dormir.
E a amiga respondeu:
– Eu também tenho uma novidade. Assim como você, conheci um senhor que reside lá e as vezes ele vai ao meu quarto antes de dormir, mas como não conhecemos canções em iídiche, fazemos sexo.
Justificando o Casamento
Sam estava muito feliz desfrutando da festa de 80 anos com a família e amigos. Até o Rabino da Comunidade estava lá, e a alegria do aniversariante era tão grande que decidiu anunciar que depois de muitos anos de viuvez iria se casar com Hetty, também viúva, de 50 anos. Passada a surpresa, os filhos, netos e amigos desejaram “mazal tov”³. Após as felicitações o Rabino o puxou de lado e perguntou:
– Sam, sem ofensa, tenho que fazer algumas perguntas. Você realmente ama Etty?
– Olha, Rabino - disse ele - para falar a verdade, não tenho certeza…
– Ela cozinha bem, faz aquele caldo de galinha realmente especial? - foi a segunda pergunta, também respondida de pronto:
– Eu nunca a vi na cozinha.
Cada vez mais preocupado com o rumo das coisas, o Rabino continuou o questionário:
– Então me conte: a Etty é rica? - e Sam respondeu - não tenho a menor ideia da situação financeira dela, jamais conversamos sobre dinheiro.
Decidido a esclarecer tudo, o Rabi disse:
– Sam, você não têm certeza de que ama a Hetty; não sabe nem se ela cozinha e muito menos se ela é rica… Me diga, então: porque quer casar com ela?
– Ela pode dirigir a noite - foi a resposta triunfante e esclarecedora.
Seguindo os Passos de Sansão
Um jovem judeu que tinha acabado de tirar a carteira de motorista foi perguntar ao pai, que era Rabino, se poderiam conversar sobre o uso do carro da família. O pai o levou para o escritório e disse:
– Filho, estou muito feliz que você tenha conseguido a permissão para dirigir e acho justo você usar o carro de vez em quando, mas antes vamos fazer um acordo: você melhora um pouco tuas notas, estuda um pouco o “Talmud”², corta o cabelo e aí voltaremos a conversar, combinado?
Depois de um mês o jovem lembrou o pai sobre o acordo e voltou a perguntar se poderiam então acertar o uso do carro. Eles foram novamente ao escritório do pai, onde ele disse:
– Filho, estou muito orgulhoso de você. Você melhorou as notas, estudou o Talmud diligentemente, mas não cortou o cabelo.
Como se já estivesse esperando o questionamento, o rapaz respondeu:
– Pai, em meus estudos eu aprendi que Sansão, que era amado por D’us e um líder do povo judeu, também tinha cabelos longos. Não posso seguir os passos do grande Sansão?
E o Rabino respondeu:
– Se você pensa assim, claro que pode seguir os passos dele, porque Sansão andava a pé por onde quer que fosse.
(¹) o iídiche é uma língua germânica falada principalmente por comunidades judaicas asquenazes (de origem da Europa Central e Oriental). Ela se desenvolveu a partir do século X, quando judeus da Renânia, na Alemanha, começaram a misturar o dialeto alemão da região com elementos do hebraico e do aramaico, além de influências eslavas e românicas. Essa fusão gerou uma língua distinta, com uma estrutura gramatical próxima do alemão, mas com vocabulário e expressões judaicas próprias.
(²) o Talmud é uma das obras centrais do judaísmo, um compêndio de ensinamentos rabínicos que interpretam e expandem a Torá (os cinco primeiros livros da Bíblia hebraica).
(³) Mazal Tov em hebraico, ou Mazel Tov em iídiche é uma expressão usada para expressar congratulações para uma ocasião ou evento significante ou festivo.


