Imagem gerada por I.A.
Todos nós estamos acostumados à instantaneidade das mensagens por celular, especialmente WhatsApp, não? Elas atravessam o mundo, cruzam oceanos, montanhas e fronteiras em segundos.
Mas já imaginou estar caminhando pela praia e encontrar uma garrafa com uma mensagem dentro, como nas histórias que a gente leu em livros ou viu em filmes?
Pois isso aconteceu de verdade.
Há quase 8 anos, em 21 de janeiro de 2018, em uma praia da Austrália Ocidental, Tonya Illman caminhava com a namorada do filho ao norte de Perth quando notou uma garrafa parcialmente enterrada na areia. A princípio, nada de extraordinário: Tonya achou que o objeto poderia ficar bonito na estante de casa.
Mas, ao limpá-la, veio a surpresa: havia um papel enrolado dentro.
Em casa, depois de deixar o papel secar, descobriram que se tratava de um formulário impresso em alemão, com algumas informações manuscritas já um pouco apagadas pelo longo tempo. O impresso continha campos a serem preenchidos com dados sobre o local onde a garrafa fosse encontrada.
Foi o marido de Tonya, Kym Illman, quem percebeu algo curioso – e animador: o campo destinado ao ano começava com “18…”.
A pesquisa feita pela família trouxe informações fascinantes. A garrafa fazia parte de um experimento científico conduzido pelo Observatório Naval Alemão entre 1864 e 1933. Na época, navios alemães lançavam garrafas ao mar contendo formulários com coordenadas, nome da embarcação e rota, para estudar correntes oceânicas.
A investigação revelou ainda que aquela garrafa havia sido lançada de um navio que viajava de Cardiff, no País de Gales, para Makassar, então nas Índias Orientais Holandesas.
Percebendo o valor histórico do achado, os Illman levaram a garrafa ao Museu da Austrália Ocidental. A confirmação, com rigor científico, trouxe ainda mais detalhes, uma espécie de ‘certificado de origem’ do achado:
– o papel era, de fato, do século XIX;
– a garrafa era de uma marca de gim produzida entre 1850 e 1900;
– e um navio alemão chamado Paula havia navegado exatamente naquela rota.
Para coroar a história, uma pesquisa em arquivos alemães encontrou o boletim meteorológico original do navio, com uma anotação feita pelo capitão em 12 de junho de 1886, registrando o lançamento da garrafa ao mar.
Resultado: depois de autenticada, a descoberta foi oficialmente registrada no Guinness Book of World Records como a mensagem mais antiga já encontrada dentro de uma garrafa.
O experimento terminou 131 anos e 223 dias depois.
Um WhatsApp que demorou mais de um século para ser entregue.
Sem “visto”, sem “online”, sem resposta imediata – mas, convenhamos, com muito mais conteúdo.

