A Professora Perguntou: “Você é Menino ou Menina?”

Crônica colhida hoje no site Sapo24, onde o autor comenta sobre uma questão da moda, a ideologia de gênero.

Deixo claro que ele não expressa a minha opinião, especialmente pela afirmação machista ao final.

Apesar disso, vale a pena:

És menino ou menina?

12 set 2019 12:55

A opinião de Guilherme Duarte

Guilherme Duarte

“Tu és rapaz ou rapariga?”, pergunta a professora a um aluno. A turma inteira ri-se e ele responde com a sua voz ainda não alterada pela puberdade e ajeitando a sua écharpe “Rapaz!”.

Tinha acabado de entrar para o 7º ano de escolaridade numa escola nova, com colegas novos e, claro, professores novos. Com 13 anos, a passagem para o 3º ciclo é das mais importantes e potencialmente mais inquietantes que alguém, no início da sua puberdade e adolescência, pode ter. Fui gozado por usar fato de treino com botas ortopédicas, mas este texto não é sobre a minha mãe. Na primeira aula de Educação Visual, uma disciplina nova para todos os alunos – menos para os burros dos repetentes – a professora, uma senhora pequenita e simpática, cheia de energia, decide o seguinte “Vamos contar quantos rapazes e quantas raparigas há!”. Começa a fazer a ronda, a contar os rapazes, um por um, quando empanca a contagem numa pessoa, faz uma pausa e pergunta: “Tu és rapaz ou rapariga?”. A turma inteira ri-se e ele responde com a sua voz ainda não alterada pela puberdade e ajeitando a sua écharpe “Rapaz!”. A professora continua a sua contagem como se nada tivesse acontecido. Na altura, apesar de me rir em conjunto com a turma, aquilo pareceu-me logo de uma violência e de uma falta de sensibilidade gigante vinda de um adulto e, ainda por cima, de um educador. Nós também gozávamos com miúdo, mas nós éramos putos estúpidos, não sabíamos melhor. No entanto, a dúvida da professora foi legítima, atenção, sem o ouvir falar e naquela androgeneidade generalizada da pré-adolescência, é normal que a dúvida se instalasse na cabeça da professora, mas perguntar em alto e bom som se é rapaz ou rapariga? Nunca! Tinha de arriscar! Olhar para o buço e arriscar. Se falhasse desculpava-se com a falta de óculos ou assim que seria menos ofensivo do que fazer a pergunta para todos ouvirem e gozarem com o rapaz.

Mais de vinte anos volvidos e, agora, reza a lenda no grupo de colegas dessa altura com quem ainda vou falando que esse rapaz mudou de sexo e é agora uma mulher. Nunca obtive confirmação dessa informação, mas a ser verdade parece que a professora era uma visionária e percebeu a dicotomia de identidade de género que ali estava em conflito naquele ser. O que na altura pareceu ser uma completa falta de sensibilidade e pedagogia, parece que agora faz sentido. Aliás, prevejo um futuro em que tem de se perguntar a toda a gente qual o seu género, para não corrermos o risco de tratar por “ele” o que parece ser um rapaz de barba e voz grossa e ofendermos a Vanessa. Curiosamente, no trânsito vai ser mais fácil distinguir, pois basta olhar para o carro e perceber se tem muitos riscos de lado para sabermos o género do condutor.

O site com a matéria pode ser acessado aqui.

 

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *