Amos Goldmann e Seu Invento Extraordinário

Amos Goldmann, um jovem judeu iniciante no ramo das invenções tecnológicas, vinha pela estação Grand Central em Nova York, suando pelo peso de duas malas enormes, quando um estranho se aproximou:
– “Por gentileza, meu relógio estragou, pode me dizer que horas são?”

O rapaz suspirou, colocou as malas no chão e com a respiração ofegante olhou para o relógio:
– “São quinze para as seis”.

O homem percebeu que o relógio não era comum, agradeceu e falou:
– “Ei, esse é um relógio bonito!”

Amos se animou e falou:
– “Sim, não é ruim, confira isso” – e começou a demonstrar as funcionalidades do relógio.
– “Ele mostra o fuso horário das 50 maiores cidades do mundo”.
Apertou um botão e uma voz com sotaque texano disse:
– “Agora faltam onze para as seis”.

Deu mais um toque no botão e uma voz falou em uma língua que o homem não entendeu:
– “É iídiche” – disse o jovem, sem esconder o orgulho.

Estimulado pelo interesse do senhor e pela perspectiva de poder falar sobre a invenção, passou a detalhar:
– “Todos os idiomas estão previstos, inclusive com os sotaques regionais. Você pode aferir tua pressão e os batimentos cardíacos, também tem um receptor de rádio FM com sintonizador digital, e a capacidade de gravação de áudios é equivalente a 300 livros de tamanho padrão”.

A essa altura o desconhecido estava impressionado e não escondia a admiração.
– “Isso não é tudo” – disse ele, apertando outro botão:
“Aqui está nossa localização, dada pelo GPS. Você pode acessar os mapas que quiser. E se estiver perto de uma impressora, ele se conectará por bluetooth ou uma rede wifi”.

O homem estava boquiaberto:
– “Eu quero comprar este relógio!”
– disse.

– “Não, ainda não está pronto para venda, estou trabalhando com os bugs”, respondeu Amos – e sem perder tempo, continuou detalhando:
– “Mas olhe isso” – e mostrou que o relógio tinha um dispositivo de laser para medir distâncias de até 125 metros e também um pager para receber mensagens via satélite.

O homem não escondia o espanto e insistiu:
– “Eu preciso ter este relógio!”

– “Não, você não entende, ele não está pronto, é só um protótipo.”
– “Eu te dou U$ 1.000 por ele!”
– “Ah, não, eu já gastei muito mais do que isso”.
– “Eu pago U$ 5.000.”
E sem dar tempo de Amos responder, emendou:
– Sabe o que? Eu vou te pagar U$ 15.000!”

E tirou um talão de cheques, enquanto Amos refletia:
– “Eu gastei U$ 4.500 em materiais e desenvolvimento. Vou forçar um pouco e se ele aceitar o que vou pedir, posso fazer outro com todos os melhoramentos e vai sobrar dinheiro para começar a produção em seis meses”.

Vendo que o estranho estava pronto para fazer o cheque, o aprendiz de inventor disse:
– “Quero U$ 25.000. Por menos do que isso, não vendo”.

O homem respondeu:
– “Fechado”.
E imediatamente preencheu o cheque e o assinou.

Amos pegou o cheque e entregou o relógio, que já havia tirado do pulso.

O desconhecido agradeceu e o afivelou em seu braço, visivelmente feliz, e estava virando para para ir embora, quando o jovem o chamou:
– “Ei, espere um minuto…” – e arrematou, apontando para as duas enormes malas que estava arrastando pela estação de trens:
– “Não esqueça as baterias”.

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