A polêmica que surgiu nas últimas horas envolvendo a possível indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada do Brasil em Washington me fez lembrar de um episódio muito engraçado que aconteceu na última gestão do Jaime Lerner à frente da Prefeitura de Curitiba.
A lembrança veio por associação de ideias, já que o filho do Presidente aponta como uma de suas qualificações para exercer o cargo o fato de ter viajado por todo o mundo.
O que vou relatar ocorreu exatamente no dia 7 de setembro de 1991, data da comemoração da Independência do Brasil.
Naquela época o desfile cívico-militar já era realizado na Av. Cândido de Abreu e o palanque oficial ficava exatamente na frente do prédio da Prefeitura. Ali estavam, além do Prefeito, do qual eu era Chefe de Gabinete, as autoridades militares, do Judiciário e do Legislativo, e o Governador Roberto Requião, então em seu 1º mandato.
A solenidade já havia começado, quando chegou a informação de que a Ferrovila havia sido invadida.
Faço aqui uma digressão:
– a Ferrovila era um projeto do município, em parceria com empresas, uma delas o extinto Bamerindus, para construir moradias para famílias de baixa renda. A invasão foi claramente orquestrada pelo grupo político do Governador e liquidou com o projeto, dando origem à uma ocupação desordenada.
A Ferrovila deveria ser uma grande vitrine do avanço da Prefeitura na questão habitacional, numa gestão plenamente exitosa do Jaime, e a notícia da invasão nos deixou extremamente preocupados.
Como as informações eram desencontradas, ao término do desfile o Jaime convidou o Governador para subir ao Gabinete para uma reunião de emergência. Ainda não sabíamos do envolvimento dele e achávamos que eventualmente o governo do Estado pudesse ajudar o Município promovendo a desocupação dos terrenos antes que a invasão se tornasse irreversível.
Quem conhece a história e o estilo do então Governador sabe que a ajuda não veio e a ocupação irregular se consolidou, com graves prejuízos para a cidade. Seja como for, não é disso que quero tratar agora.
Voltando ao tema inicial:
– o Requião, cuja formação é na área do Direito e tinha sido Prefeito de Curitiba por 3 anos, pretendeu durante a conversa demonstrar conhecimentos urbanísticos falando das viagens que havia feito para conhecer sistemas de transporte em outros lugares do mundo.
O Jaime estava no 3º mandato e mesmo antes de terminar a gestão já havia marcado seu nome pela transformação de Curitiba. Após o Requião se vangloriar das viagens, o Jaime saiu-se com essa:
– “Requião, o elefante do Circo Sarrasani já deu a volta ao mundo e continua sendo o elefante…”



2 thoughts on “O Jaime Lerner e o Elefante do Circo Sarrasani”
Excelente artigo. Requiao errou todas.
Muito boa. Abs.