A minha geração viu nascer o telefone celular e acompanhou a evolução do aparelho que veio para mudar não apenas as comunicações: ele alterou o modo de vida de toda a população do mundo, até mesmo de quem consegue viver sem ele.
A pergunta é a seguinte: você, usuário do celular, compraria um modelo que foi criado unicamente para fazer ligações e que só agora teve adicionada a facilidade de mandar o velho SMS?
A proposta dos fabricantes do Light Phone – esse é o nome do celular – é a de libertar as pessoas do vício da Tecnologia, segundo a matéria que li. Seus desenvolvedores são Joe Hollier e Kaiwei Tang, ambos Designers.
O primeiro modelo, de 2015, tinha uma agenda de apenas 9 números e nem mesmo permitia mandar mensagens de texto. Era pequeno, do tamanho de um cartão de crédito, parecido com uma calculadora, e como único luxo tinha o teclado de discagem iluminado.
Hollier está usando o Light Phone II há seis meses e o artigo de onde tirei as informações diz que mesmo a nova versão não parece um telefone, ou pelo menos nada que você reconheceria como um telefone.
Ele diz que as melhorias adicionadas tem como objetivo libertar as pessoas do smartphone para sempre. Para tornar isso possível, traz alguns novos itens: além das mensagens de texto, uma capacidade de agenda ilimitada e velocidade de conectividade 4G, mais rápida.
O preço previsto é de U$ 350. Para quem diz que é muito alto por um dispositivo que não faz quase nada, Tang diz que “o valor do Light Phone não é apenas o objeto em si, e sim a experiência que te separa da Internet, das mídias sociais, de toda a manipulação, te deixando livre para a vida.“
Hollier por sua vez afirma que lembra da internet da infância, quando esperava 10 minutos para o modem se conectar ao computador no escritório da mãe. Naquele momento ele estava online e preso. Quando saia do escritório para encontrar os amigos ou ir à piscina em um dia de verão, não estava mais conectado. Deixava uma mensagem de ausente e dizia às pessoas onde encontrá-lo.
Os sócios dizem também que o aparelho não foi projetado para ser um produto de consumo, mas um experimento.
– “Não estávamos tentando competir com nenhum smartphone quando começamos”, diz Tang.
Os apoiadores do projeto na plataforma Kickstarter injetaram U$ 400.000 e eles venderam 15.000 unidades a U$ 150 cada antes de suspenderem as vendas. Outras 50.000 pessoas entraram em uma lista de espera.
Isso mostrou aos amigos que as pessoas “não estavam tão interessadas no que o celular podia fazer, mas no que ele não podia“. Boa parte dos compradores adquiriu o aparelho para dar aos filhos.


