O Sentido da Vida
Há momentos em que sentimos necessidade de buscar respostas grandiosas para perguntas que nem sempre exigem explicações tão carregadas de significado. “O sentido da vida”, por exemplo, parece exigir um discurso profundo, repleto de metáforas, mistérios e – talvez até – uma trilha sonora ao fundo.
Mas a tradição judaica – sempre pronta a equilibrar sabedoria e ironia – gosta de nos lembrar que nem toda frase solene traz embutido um significado oculto. E, aí, até pode surgir uma resposta aparentemente profunda – ou somos nós que a fazemos parecer assim?
É aí que começa a anedota de hoje.
Um velho rabino estava em seu leito de morte. Seus alunos, consternados, formaram uma fila ao lado da cama. O mais sábio estava junto à cabeceira. Atrás dele, o segundo mais sábio. Depois, o terceiro. E assim sucessivamente – a fila saiu do quarto, ganhou o corredor, desceu as escadas e chegou à rua, onde o aluno, digamos, menos dotado de inteligência ocupava o último lugar.
O mais sábio, com cuidado, inclinou-se sobre o mestre e, com voz baixa e respeitosa, perguntou:
– Grande Rabino, antes de partir para junto do Eterno, diga-nos: qual é o sentido da vida?
O Rabino ergueu levemente a cabeça, abriu os olhos com esforço, puxou um suspiro trêmulo e, com a voz débil, murmurou:
– A vida… a vida é… é como… um rio…
Visivelmente cansado pelo esforço de falar, fechou os olhos e deixou a cabeça cair novamente no travesseiro.
O mais sábio virou-se:
– O Rabino disse que a vida é como um rio!
A frase foi passando de boca em boca, como uma onda de sabedoria – quarto, corredor, escada, rua – até chegar ao penúltimo da fila, que informou ao último:
– O Rabino disse que a vida é como um rio!
O mais simples ficou pensativo. Não tinha ninguém atrás para repetir a mensagem. Então, justamente ele, de quem nada se esperaria, fez o que ninguém fizera: pensou.
Após alguns segundos, tocou no ombro do colega à frente:
– Desculpe… mas por que a vida é como um rio?
A pergunta subiu pela fila com a mesma solenidade com que descera a revelação, até chegar novamente ao mais sábio:
– Moishe quer saber por que a vida é como um rio.
O mais sábio inclinou-se outra vez:
– Grande Rabino, seus alunos trazem uma nova questão. Por que a vida é como um rio?
O velho rabino abriu os olhos pela última vez, respirou fundo e disse:
– Está bem… então não é como um rio.
Uma Pérola da Sabedoria Judaica
“O crente não faz perguntas, enquanto nenhuma resposta satisfaz o incrédulo”.
Frases dos Melhores Humoristas Judeus
Lewis Black (Lewis Niles Black – 30/8/1948 – Washington/USA)
– Nós devíamos construir um muro enorme na fronteira com o Canadá. É de lá quem vem o ar frio!
As Terríveis Pragas Judaicas
– Que um decreto maligno o atinja.

Imagem gerada por I.A.

