Três na Quarta de Humor Judaico (3)

O Jornalista Americano e o Muro das Lamentações
Um jornalista americano foi designado para assumir o escritório de Jerusalém da rede onde trabalhava, e logo ao chegar alugou um apartamento com vista para o Muro das Lamentações.
Todos os dias quando olhava para fora via um velho judeu orando com muita devoção. Não importava se o tempo estivesse bom ou ruim, o idoso sempre estava lá.
Achando que a assiduidade do religioso poderia render uma boa matéria, na manhã seguinte, a caminho do escritório, foi até lá.
Após apresentar-se ao velho, perguntou:

– Vejo que o senhor vem todos os dias ao Muro e reza fervorosamente. Há quanto tempo faz isso e para o que ora?
O senhor respondeu:

– Eu venho aqui todos os dias desde que me aposentei, há 25 anos. Pela manhã peço pela paz mundial e pela fraternidade entre os homens. Depois vou para casa, como alguma coisa, descanso um pouco, tomo uma xícara de chá, volto e rezo pela erradicação das doenças e da pobreza da terra.
O jornalista ficou surpreso.

– Como o senhor se sente vindo aqui todos os dias por 25 anos e rezando por essas coisas?
O velho respondeu com a voz que demonstrava desânimo:

– Eu me sinto como se estivesse falando com uma parede.

Quando a Benção é Desnecessária
A família Arnovitz estava jantando na sexta-feira à noite na casa da avó Sheilla. Assim que sentaram, o pequeno Ariel começou a comer.
– Ariel! – exclamou sua mãe – e continuou – você sabe que tem que esperar até fazermos a bênção.
Não, não tenho – respondeu o menino.
Claro que tem – insistiu a mãe – sempre fazemos a bênção antes de comer.
– Isso é lá em casa – explicou o pequeno – mas esta é a casa da vovó e ela sabe cozinhar.

 O Ladrão e os Nomes Bíblicos
Um ladrão invadiu uma casa durante a noite.
Depois de ter pulado a janela, apontou a lanterna ao redor, procurando objetos de valor, quando uma voz no escuro disse:
– O Rei David sabe que você está aqui.
Apesar de acostumado com sustos e problemas, o ladrão quase teve uma síncope. Desligou a lanterna e congelou por alguns segundos, tentando identificar de onde tinha vindo a voz. Ainda preocupado, ligou a lanterna outra vez e iluminou ao redor para ver o que poderia carregar, pensando em sair logo dali. Enxergou um aparelho de som, e quando estava começando a desconectar os fios, ouviu a mesma voz:
– O Rei David está aqui, observando você.
Assustado, mais uma vez ele acendeu a lanterna e direcionou a luz para todos os lados, novamente procurando a fonte da voz.
Finalmente, lá no canto da sala, o facho da lanterna parou em um papagaio. Um pouco mais tranquilo, ele perguntou:
– Você que disse isso?
E a ave respondeu:
– Sim – e continuou – Só estou tentando te avisar que o Rei David está de olho e vai te pegar!
Já achando graça na conversa e mais relaxado, o ladrão continuou a conversa:
– Ah, que bom! Então me avise se ele chegar perto. E como é teu nome?
– Rei Saul –  o papagaio disse – e ele está aqui, pronto para avançar.
Sem conter o riso, o meliante quis saber:
– Que tipo de gente coloca o nome de Rei Saul em um papagaio?
O pássaro respondeu:
– O mesmo tipo de gente que coloca o nome de Rei David em um Rottweiler.

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