A Lição na Entrada do Circo, a Bíblia e o Brasil

A Lição na Entrada do Circo, a Bíblia e o Brasil

Ainda não escrevi sobre o tempo que passei em internatos – será que eles ainda existem? – mas ainda o farei. Estive em dois, e em um deles, o Ginásio Adventista Paranaense, permaneci por cinco anos.

Apesar da revolta gerada pelos sentimentos negativos de uma criança colocada ali aos 11 anos, guardo também boas recordações. Uma delas está ligada a algo que ouvi naquele período e jamais esqueci.

A organização adventista sempre foi muito focada na educação. Acredito, inclusive, que isso tenha pesado na decisão de meus pais, somado ao fato de que, assim como os judeus, os Adventistas do Sétimo Dia guardam o sábado do pôr do sol da sexta-feira até o anoitecer do sábado.

Hoje, eles representam o maior contingente de pessoas que seguem esse preceito: são cerca de 21 a 23 milhões de fiéis, contra 15 a 16 milhões de judeus no mundo.

Aqui cabe uma ressalva importante: nem todos os judeus guardam o sábado de forma religiosa, sobretudo os seculares, enquanto, entre os adventistas, a guarda do sábado é doutrinária e praticamente universal.

Mas, voltando ao tema, ouvi na Escola Sabatina algo que nunca esqueci. Está no Velho Testamento, em Provérbios 22:6, e considero um ensinamento básico – especialmente em um país onde se dá tão pouca atenção ao ensino fundamental. E digo isso porque não se trata apenas de um princípio religioso, mas de algo que deveria ser praticado sempre, como fundamento da cidadania, um pilar para a construção de uma sociedade mais equilibrada e justa:

“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.”

Lembrei-me disso ao reler um texto que recebi tempos atrás. A história dialoga diretamente com essa passagem bíblica e é extremamente oportuna. A referência mais antiga que encontrei na internet é de 2011, sem menção ao autor.

A Importância do Exemplo

Um pai decidiu levar seus filhos ao circo. Ao chegar à bilheteria, perguntou:
– Olá, quanto custa a entrada?

O vendedor respondeu:
– R$ 30,00 para adultos e R$ 20,00 para crianças de 7 a 14 anos. Crianças até 6 anos não pagam. Quantos anos eles têm?

O pai respondeu:
– O menor tem 3 anos e o maior, 7.

Com um sorriso, o rapaz da bilheteria disse:
Se o senhor tivesse falado que o mais velho tinha 6 anos, eu não perceberia, e o senhor economizaria R$ 20,00.

E o pai respondeu:
– É verdade, pode ser que você não percebesse. Mas meus filhos saberiam que eu menti para obter uma vantagem. E a lembrança desta tarde não seria especial; na verdade, seria terrível para o caráter deles.

E finalizou:
– A verdade não tem preço. Hoje deixo de economizar R$ 20,00 que não me pertenceriam por direito, mas ganho a esperança de que meus filhos saberão a importância de dizer a verdade.

O atendente permaneceu mudo. Também ele teria uma tarde especial para lembrar.

Essa história ilustra uma situação em que os filhos presenciam uma atitude correta do pai. Ela nos permite perceber que:

  • Nada deve substituir a verdade

  • Educar é dar o exemplo

  • O exemplo correto beneficia todos ao nosso redor

  • Jamais devemos fazer pequenas concessões à mentira – o preço é alto demais

  • Uma tarde especial pode valer para toda a vida

  • As palavras convencem, mas o exemplo arrasta

A corrupção começa nos pequenos gestos, transmitidos às novas gerações como algo banal, como se não houvesse problema algum.

Pense nisso.

Para encerrar, fica a pergunta: será que um dia esse sentimento permeará nossa sociedade, e o Brasil será visto como uma grande Nação?

Imagem gerada por I.A.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *