Por um erro do diagramador, o jornal da comunidade judaica da cidade onde Herschel morava publicou o nome dele na seção do obituário, em vez de colocar na coluna de aniversariantes do mês.
Herschel já andava muito deprimido após a aposentadoria e a viuvez, e isso o abateu ainda mais. Desse dia em diante passou a dizer para todos que estava morto.
Preocupados com o pai, depois de muita insistência os filhos conseguiram que ele fosse consultar o Dr. Ziskind, Psiquiatra muito bem recomendado.
Foram muitas as sessões com o terapeuta tentando convencer Herschel de que ele estava vivo, sem sucesso.
Quase decidido a abandonar o caso, o Dr. Ziskind tentou mais um recurso: pegou seus velhos livros de medicina para mostrar a Herschel que os mortos não sangram.
Depois de uma hora lendo os livros e argumentando, parecia que estava tendo sucesso:
– “Então, senhor Herschel, concorda com o preceito médico de que as pessoas mortas não sangram?”
– “Sim, parece que é assim” – ele disse.
Em seguida o psiquiatra pegou um alfinete e fez um pequeno furo no dedo da mão de Herschel, fazendo com que saísse uma gota de sangue.
Feito isso, perguntou:
– “Agora preciso saber, senhor Herschel, o que essa gota de sangue significa?”
E o idoso respondeu:
– “Significa que os seus livros médicos estão errados e os mortos sangram, sim.”



One thought on “Herschel, o Teimoso Morto-Vivo”
Obrigado pela menção ao Dr. Ziskind, a correta pronúncia da grafia Susskind.
Abraços!