Não sou um ardoroso defensor do Presidente Jair Bolsonaro.
Tenho uma visão negativa de boa parte das atitudes e práticas dele nestes poucos meses de administração e por essa razão procuro sempre filtrar as notícias que os amigos me encaminham, assim como as que colho nas redes.
Costumo sempre avaliar as informações com sensatez. Essa minha postura me levou a ir a fundo na análise da decisão anunciada pela Noruega de congelar o repasse de R$ 133 milhões da prometida contribuição ao Fundo Amazônia para o combate ao desmatamento.
Segundo a imprensa, o governo norueguês está insatisfeito com a maneira como o Brasil alterou a configuração dos comitês do Fundo. Essa decisão soma-se à adotada há poucos dias pela Alemanha, sabendo-se que os dois países eram os responsáveis pela quase totalidade dos aportes internacionais.
Logo que a Noruega divulgou a decisão começaram a aparecer informações esparsas sobre como o país age em relação ao meio ambiente, revelando um lado desconhecido e equivalente ao “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”.
Antes de continuar, quero deixar claro que defendo rigor na fiscalização e controle do desmatamento da Amazônia e nas demais áreas de reservas naturais. Enfatizo isso para que minha manifestação não seja mal interpretada.
A 1ª constatação de que a Noruega exige do Brasil algo que ela mesma não faz, diz respeito às baleias.
O país não apenas faz parte de uma diminuta lista de nações que ainda praticam a caça, como em 2018 aumentou sua cota em 28%, que subiu para 1.278 animais.
A temporada de 2019 da caça da baleia no Atlântico Norte começou em 1º de abril e apenas no primeiro mês 3 barcos noruegueses abateram 15 animais da espécie “Minke”.
A Noruega opõe-se ao cumprimento da moratória internacional de caça estabelecida em 1986 e seus navios utilizam arpões com granadas explosivas de penetração.
Se o país nórdico age daquela forma em suas próprias águas, não é de estranhar que aqui mesmo no Brasil uma empresa norueguesa tenha tido recentemente problemas decorrente de más práticas na área ambiental.
A refinaria de alumina Alunorte em Paragominas (PA) operou durante mais de um ano com apenas metade de sua capacidade, por imposição judicial.
A unidade pertence ao grupo norueguês Norsk Hydro, é a maior fabricante mundial de alumina e importantíssima fornecedora da indústria de alumínio.
A Alunorte foi punida em fevereiro de 2018 por despejos ilegais de efluentes não tratados – vejam só – na floresta amazônica.
O embargo só foi revogado pela Justiça Federal em Belém em maio passado.
Claro que é de se lamentar a suspensão do envio dos recursos, mas convenhamos, a época de comprar a boa vontade dos nativos com espelhos, colares, apitos e chocalhos, acabou.

Foto:
http://www.oceansentry.org/15-whales-already-killed-first-month-norways-2019-whaling-season/


3 thoughts on “Noruega: Matança de Baleias no Atlântico Norte, Poluição no Pará e Espelhos e Chocalhos Para Nós”
Qual a verdade mesmo sobre essa questão da Amazônia? Hoje ouvi em uma rádio que há mais ongs na Amazônia do que índios. Para onde vai mesmo essa esmola que eles dão e porque dão? Como já se disse, não há almoço grátis.
Olha, estou inclinado a supor que muitas das ONGs que atuam na região estão mais interessadas no que existe ABAIXO do solo do que o que está ACIMA, se me entende…
Mais inclinado? Eu já caí no chão de tanto que me inclinei… Abraço!