Se fosse para atribuir um subtítulo à minha coluna de hoje, poderia ser exatamente este: Entre a fama instantânea e o esquecimento. Resolvi escrever sobre o tema depois de saber o que aconteceu com um curitibano que foi expulso da edição atualmente no ar do Big Brother Brasil, já em sua 26ª temporada, por conta de um suposto caso de importunação sexual envolvendo uma participante. Hoje em dia, é preciso cuidado redobrado ao escrever sobre episódios assim: o “suposto” torna-se praticamente obrigatório, a menos que estejamos dispostos a enfrentar as patrulhas do politicamente correto.
É preciso registrar também que a família informou que ele teria apresentado “sinais de forte abalo psicológico” ao chegar a Curitiba. Seja como for, a denúncia estaria sendo investigada e, não nos esqueçamos, o BBB passa e as consequências ficam – para o bem e para o mal. Ou seja, entre a fama e o esquecimento há muito mais do que geralmente pressupomos.
Quem assiste ao programa (e eu já cometi esse deslize, sou sincero) nem sempre se dá conta de que os participantes “pausam” suas vidas em busca de um prêmio de valor nada desprezível, além dos benefícios prometidos pela exposição midiática – ao menos para aqueles que não são eliminados logo nos primeiros dias. A rigor, sabemos que os participantes acabam sendo tratados como produtos descartáveis, mas muitos dos que assistem talvez não percebam o tamanho da aposta feita ao suspender compromissos pessoais, profissionais e afetivos em troca de uma fama que, na maioria das vezes, é de curtíssima duração.
Minha visão hoje é a de que talvez o maior efeito colateral do BBB não seja o entorpecimento de quem assiste, mas o esvaziamento de quem participa – antes, durante e especialmente depois. Como costuma acontecer, a emissora aufere as vantagens da altíssima audiência e do faturamento publicitário e, ao final, devolve a pessoa ao mundo real sem manual de instruções, dentro da conhecida técnica do “se vire, agora é com você”.
Claro que não dá para afirmar que todos os participantes saem assim. Já li relatos de pessoas que, mesmo sem vencer o programa, souberam aproveitar a notoriedade e se deram muito bem. Isso nos leva à constatação de que, como costuma se dizer, “a emissora está na dela”. A televisão, convenhamos, faz exatamente o que dela se espera: atravessa governos, crises e modismos e, ano após ano, entrega audiência, enquanto cabe aos participantes decidir o que fazer com a exposição – ainda que, na maioria das vezes, ela seja breve e deixe mais marcas do que resultados duradouros.
No que diz respeito à televisão, convenhamos: ela faz exatamente o que dela se espera. O programa atravessou turbulências, crises, modismos e chegou, 25 anos depois, a uma nova geração, já acostumada a ver, uma vez por ano, pessoas que – mesmo sabendo disso antecipadamente – são usadas, descartadas e, na maioria das vezes, esquecidas.
Quanto ao curitibano envolvido nesse episódio, de minha parte e sem nenhuma ironia, espero sinceramente que se recupere e que, passada a tormenta, fique bem. Porque, para quem esteve lá dentro, o BBB não termina no último paredão.
Imagem gerada por I.A.

