Responda: o Brasil Deve Pagar Restauro de Igreja na Palestina?

Compartilho, para análise de meus equilibrados leitores, a carta enviada por Marcos L. Susskind ao Presidente da Câmara de Deputados acerca do projeto em tramitação naquela casa que visa doar à Autoridade Palestina recursos para reparos na Basílica da Natividade em Belém. 

O Marcos é um brasileiro do Rio de Janeiro radicado em Holon, Israel, formado Guia de Turismo pelo Ministério do Turismo de Israel. 

Independente de qualquer aspecto relacionado à geopolítica e lembrando meu comprovado respeito às religiões Cristãs, tomo a liberdade de lembrar que o assunto objeto da carta do Marcos também remete às carências de nosso próprio Brasil.

Vamos lá:

“15-11-2018 – Carta Aberta

Ilmo Sr.
Deputado RODRIGO FELINTO IBARRA EPITÁCIO MAIA
Câmara dos Deputados – Brasília
por e-mail para dep.rodrigomaia@camara.leg.br

Prezado Deputado:
Meu nome é Marcos L Susskind e lhe escrevo no dia 15/11, um dia significativo tanto para o país como para mim, pessoalmente. Neste dia deu-se a Proclamação da República, fato que entre outras coisas, outorgou a cada Brasileiro o direito de se expressar e de cobrar seus representantes. Para mim tem um significado adicional, já que é a data de nascimento de minha saudosa mãe, uma mulher de valor e dona de uma ética ímpar.

Venho acompanhando pela mídia o seu esforço em fazer uma doação de R$ 792.000,00 à Autoridade Palestina para restauração da Basílica da Natividade em Belém. Esta doação por decreto foi assinada quando de sua passagem pela cadeira de Presidente da República em Janeiro e vem sendo objeto de sua insistência desde então. No entanto, está eivada de erros que espero esclarecer nesta carta. Esclareço que sou Guia de Turismo formado em Israel, com especialização em Peregrinações Cristãs, portanto escrevo com profundo conhecimento.

Escreverei esta carta aberta por tópicos resumidos, não inter-relacionados. Assim você e os demais poderão ler apenas os tópicos que lhe interessem.

História:
A Basílica da Natividade, local da manjedoura onde nasceu Jesus, é uma das primeiras igrejas Cristãs da história, construída há 1685 anos, em 333 EC pelo Imperador Constantino e sua mãe, Helena (Santa Helena). Durante a Revolta dos Samaritanos (Séc VI) foi destruída e voltou a ser reconstruída em 560 EC. Quando os Cruzados conquistaram Israel e a Região (1099 EC), foram feitas reformas importantes. Mesmo após a derrota e expulsão dos Cruzados, outras obras de manutenção importantes foram feitas até 1492.

Situação até 2017:
A última reforma importante foi feita em 1492. Desde então apenas pequenas obras de manutenção tais como o escoramento das paredes externas, feita pelos Otomanos após um terremoto que abalou as estruturas e, nos anos 1920/25, o acréscimo de vigas de madeira feita pelos Ingleses, que haviam conquistado a região em 1917. Em 2012 a Basílica da Natividade foi declarada Patrimônio da Humanidade e encarada como “construção em risco”. As vigas do teto estavam empenadas, os mosaicos desgastados e as pinturas sacras nas paredes estavam cobertas por fuligem das numerosas velas acesas ao longo de séculos. Em 2013, após 11 meses de negociação, as três denominações que zelam por diferentes áreas da igreja, chegaram a um acordo para reforma. Eram elas a Igreja Grega Ortodoxa, a Igreja Armênia e a Igreja Católica. Este foi o primeiro acordo entre estas igrejas, fato histórico que levaria anos mais tarde a novo acordo que permitiu a reforma do Santo Sepulcro, em Jerusalém, completamente restaurado pelo Governo de Israel.

A Reforma Atual:
Como dito acima, a reforma atual, aprovada em 2013, foi iniciada. Financiada por diversos indivíduos, empresas e governos além do Vaticano, foi executada pela empresa Italiana Piaccentti sob supervisão do Frade Franciscano David Grenier. O uso de equipamentos de última geração permitiu encontrar um mosaico imenso que estava coberto por inúmeras camadas de pinturas feitas através dos séculos. A Igreja Grego Ortodoxa, na qual o uso de velas é parte importante dos serviços religiosos, concordou que se coloque um dispositivo dentro do qual sejam acesas as velas. Um equipamento retira a fuligem para fora da igreja para impedir novas formações de fuligem interna. Dezenas de pinturas e até grafitis antigos foram descobertos, muitos deles escritos por nobres Cruzados. A cobertura foi trocada por uma cúpula anti raios ultra violeta para proteger as diversas obras restauradas dentro da igreja. Durante os trabalhos foi desmontada uma bomba, colocada no teto em 2002 por terroristas da Al Fatah que tomaram a Igreja e nela se entricheiraram em sua luta contra o Exército de Israel. A reforma atual terminou em 2017.

O Motivo desta Carta:
Escrevo esta carta, prezado Deputado Maia, porque creio ser fundamental esclarecer os pontos a seguir:
A ajuda que Vsa. Sria tanto se empenha em repassar à Autoridade Palestina para custear a reforma já não é necessária posto que a reforma já foi finalizada
A reforma, conforme mencionado acima, foi feita por uma empresa Italiana, sob supervisão de um Frade designado pelo Vaticano e com fundos oriundos de inúmeras fontes – não foi custeada pela Autoridade Palestina, que se limitou a alguma doação.
Se Vsa. Sria. quer contribuir para futura manutenção deste patrimônio, a ajuda não deve ser encaminhada à Autoridade Palestina mas sim a um dos três grupos religiosos que zelam pela Igreja, como descrito: A Igreja Católica, através dos Frades Franciscanos; a Igreja Grega Ortodoxa e a Igreja Armênia.

Espero sinceramente ter contribuído com informações mostrando que a reforma já foi executada e paga, e informar que o destino de tais verbas, hoje desnecessárias (embora possam vir a ser necessárias no futuro), seja encaminhado corretamente.

Sinceramente
Marcos L Susskind”

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